quinta-feira, 30 de setembro de 2010

O mangá e a globalização

Às vezes me pergunto porque a globalização ainda não chegou ao mangá.
Pelo menos, não ao mangá nacional.
Aqui no Brasil, o mangá ainda é um monopólio... Um privilégio de poucos.
As bancas são dominadas pelos títulos japoneses. Não vemos trabalhos de Artur Garcia, Eugênio Colonesse e tantos outros monstros do desenho nacional.
Há pouco tempo, surgiu "Turma da Mônica Jovem", em estilo mangá. Eu disse: "Opa! Finalmente!... Quem sabe Maurício de Souza não abre caminho para uma leva de mangakás brasileiros que existem por aí?". Mas não é isso que vejo. Nossa vida continua sofrida e nosso talento continua anônimo...
Sou a favor da globalização do mangá. Adoraria conhecer trabalhos de mangakás do mundo inteiro... Pois afinal de contas, o que importa é conteúdo, não a nacionalidade.
Ninguém lê um mangá abraçado à bandeira nacional. A gente lê porque tem fome de aventura, de romance, de magia para suportar a realidade tão dura. E desenha porque tem esse poder nas mãos.
Existe globalização em tudo: na mídia, na televisão, na livraria, no supermercado.
Aquele biscoito que você adora comer no lanche da tarde também é fabricado na Argentina. O celular de 15 conto que você comprou no camelô veio da China. O folhetim que sua mãe assiste na sessão da tarde é mexicano. O filme que você assistiu quarta-feira no cinema e americano.
E o Brasil... O que estamos oferecendo para o mundo?
Sim, agora me lembro. Oferecemos nossas praias para os gringos gravarem seus filmes. E o filho da mãe ainda tira sarro da gente. Muitos trabalhadores fazem calos nas mãos cultivando o trigo, que será usado na fabricação do biscoito argentino. O mundo fica com a glória, com o lucro, com a tecnologia... E o Brasil fica à Deus dará.
Já passou da hora de mostrarmos ao mundo que o Brasil não vive só de Carnaval e bundas. O mundo precisa conhecer esse povo tão rico de talento e cultura... Que é nosso melhor cartão de visitas.

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